Ecobag não é moda, é um hábito

Soluções ecológicas para produtos são facilmente adotadas em massa, principalmente quando também apresentam um potencial para marketing e divulgação de marca. A onda dos biodegradáveis, assim como a gama de produtos feitos de forma artesanal são um bom exemplo disso. A história nos mostra que a conscientização do mercado gera novos perfis de objetos de consumo, a grande maioria estampando em suas embalagens os mesmos "diferenciais" ecológicos. Mas afinal, ser biodegradável, artesanal, de composição natural, reciclável, é ruim? Claro que não. Pelo contrário, é muito importante. No entanto, essas soluções não são uma panaceia em si só. Para comprovar esse argumento vou contar a história de um forte aliado dos ambientalistas: a ecobag.

A ideia de uma bolsa de pano reutilizável surgiu no Japão durante o período Nara (​​710 a 794 d.C.) com o nome de Furoshiki. Naquela época, pedaços de tecidos eram dobrados e utilizados nas casas de banho para guardar pertences. Sandra Fukada, proprietária de lojas que vendem essa espécie de embalagem, afirmou em entrevista à Japan House de São Paulo que o Furoshiki pode ser considerado a primeira ecobag do mundo e já foi, inclusive, utilizado como meio de publicidade e divulgação de produtos. O tecido pode ser amarrado de diversas formas, garantindo o reuso do material, pensamento que vai de encontro com a filosofia japonesa Mottainai, contra o desperdício.


Com a evolução do comércio e o surgimento de mercados, as sacolas de papel se tornaram populares. A grande demanda pelo objeto fez com que, no século 19, uma mulher americana de nome Margaret Knight inventasse uma máquina para produzir sacos de papel de fundo plano. Atualmente, Margaret é uma figura do empoderamento feminino, pois quebrou vários estereótipos da época e, mesmo tendo seu design roubado por um mecânico que visitou sua fábrica, conseguiu patentear a invenção no ano 1871.


Para acompanhar o ritmo acelerado de produção das sacolas, muitas árvores precisavam ser derrubadas. Diante da situação, outra inovação surgiu, dessa vez pensada por um designer de embalagens sueco, Sten Gustaf Thulin. Na década de 1960, ele desenvolveu um objeto de baixo custo para transportar mercadorias, a sacola de plástico. Thulin chamou a sua invenção de "saco com alça de material plástico soldável", mas ela ficou mundialmente conhecida como "bolsa t-shirt", pois se parece com uma camiseta com mangas cortadas, ou seja, uma regata. Relatos informam que, ao lançar a ideia da sacolinha plástica, Thulin almejava diminuir o impacto ambiental, considerando o desmatamento realizado para produção das sacolas de papel. Além disso, imaginava-se que as sacolas plásticas seriam utilizadas várias vezes e que não se tonariam um item descartável. No entanto, todos sabemos que o seu baixo custo, a facilidade de produção e transporte, acarretaram a problemática ambiental atual.


A poluição plástica e a maior conscientização da sociedade exigiram uma nova alternativa, e assim as sacolas de pano reutilizáveis voltaram à moda. O estopim foi em 2007 quando a marca inglesa Anya Hindmarch lançou uma bolsa em algodão não embranquecido que estampava a frase “I’m not a plastic bag” (não sou uma sacola de plástico, em tradução do inglês). A partir desse momento muitas outras marcas e designers lançaram suas versões da queridinha bolsa ecológica. Atualmente, recebemos elas de brindes de empresas, encontramos em supermercados e lojas, campanhas e lançamentos de produtos. As ecobags se transformaram em um símbolo da sustentabilidade.


Como mencionei anteriormente, as soluções ecológicas não se bastam em si mesmas. De acordo com uma pesquisa publicada pela Agência de Proteção Ambiental Dinamarquesa em 2018, sacolas de algodão orgânico devem ser reutilizadas para compras de supermercado pelo menos 149 vezes, considerando seu impacto sobre as mudanças climáticas. Se você vai ao supermercado uma vez por mês, isso significa que sua ecobag deve estar em uso por pelo menos 12 anos e meio. Isso se dá, pois materiais como o algodão exigem muita água e, geralmente, pesticidas para serem produzidos. Os processos de fabricação da sacola também impactam o meio ambiente, dependendo da tinta e do tratamento de tecido realizado. Esse é o problema com os reutilizáveis. Eles devem ser reutilizados para serem efetivamente melhores ambientalmente.


As informações acima não consistem em um desincentivo para você aderir ao uso das ecobags, mas sim para demonstrar que nenhuma solução ambiental é perfeita e tudo depende de como nós a utilizamos. No caso da ecobag, a função dela é ser reutilizável, portanto, reutilize a sua, muitas e muitas vezes. Deixe-a em um local de fácil avistamento ou até mesmo no carro, para não esquecê-la quando for ao mercado ou fazer compras. Se você ainda não tem uma ou quer adquirir uma nova, escolha com carinho, você vai (ou pelo menos deveria) utilizá-la por muito tempo. Ela não é moda, é um hábito.


Fontes:

https://www.japanhousesp.com.br/artigo/dia-do-furoshiki/

https://www.smithsonianmag.com/smithsonian-institution/meet-female-inventor-behind-mass-market-paper-bags-180968469/