Frutos das COP’s anteriores

Atualizado: 17 de Nov de 2021

A mídia ao redor do mundo esteve de olhos e ouvidos abertos para os acontecimentos da COP-26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada na cidade de Glasgow, Escócia. O evento marca o ápice das discussões climáticas e, embora a ativista Greta Thunberg o tenha caracterizado como um fracasso, é possível que renda bons frutos. A sigla COP é uma abreviação para Conference of the Parties (Conferência das Partes, em tradução literal), um evento que, em regra, acontece anualmente e reúne os representantes dos países que assinaram o tratado conhecido como Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O documento foi originalmente adotado na Sede da ONU em Nova York, em maio de 1992, no mesmo período em que os presidentes Bush e Yeltsin declararam formalmente o fim da guerra fria.


Com a entrada do tratado em vigor, a primeira COP aconteceu em Berlim, Alemanha, em 1995, e foi sediada pela então ministra do Meio Ambiente do país, Angela Merkel. A estreia já indicou que os encontros trariam resultados, afinal, apenas nesse evento foram tomadas 21 decisões. A segunda edição, por sua vez, ocorreu em Genebra, na Suíça, resultando na Declaração de Genebra. Já no ano de 1997, o evento teve como sede Kyoto, no Japão, e viabilizou a elaboração do protocolo de mesmo nome da cidade, sendo o primeiro tratado mundial de redução de emissões de gases de efeito estufa. Além de pioneiro na limitação de emissões, o Protocolo de Kyoto também estabeleceu mecanismos para facilitar que os países alcançassem as metas propostas, sendo o estopim para o surgimento do mercado de carbono.


É importante ter em mente que nem sempre todos os países entram em consenso. A COP 6 que aconteceu no ano 2000, em Haia, Holanda, é um exemplo disso. O encontro foi marcado por muitas divergências, ocasionando a sua suspensão e a criação de uma parte II, realizada no ano seguinte na cidade de Bonn, Alemanha, atual sede do secretariado da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas. Depois dessa edição não muito amigável, as seguintes foram mais frutíferas, rendendo os Acordos de Marrakesh em 2001; a primeira Comunicação Nacional do Brasil à Convenção com o respectivo inventário de emissão de gases do efeito estufa na COP 10, em Buenos Aires; a adoção do Roteiro de Bali na COP 13; a criação do Fundo Verde para o Clima durante a COP 21, realizada em 2010 no México; o famoso Acordo de Paris discutido na COP 21 em território francês, dentre outros.

De fato, a Conferência é sempre um marco histórico, seja para sediar discussões, para aprovar acordos ou para cobrar dos países melhores ações no combate à crise climática. Por outro lado, compromissos perdem a sua serventia quando não se convertem em ações concretas. De acordo com o Climate Action Tracker, um mecanismo científico independente, apenas um país no mundo se enquadra e atende às metas estabelecidas no Acordo de Paris: a Gâmbia. Já o Brasil é classificado como altamente insuficiente pelo dispositivo. Falar é fácil, fazer é difícil. Todos sabemos disso. Mas países, empresas e pessoas não podem se dar ao luxo de ignorar o problema sob a justificativa de que a solução demanda muito esforço. Melhor agir enquanto ainda temos (mesmo que pouco) tempo para isso.

Fontes:

https://unfccc.int/timeline/

https://cetesb.sp.gov.br/proclima/wp-content/uploads/sites/36/2014/08/convencaomudancadoclima.pdf

https://unfccc.int/process/bodies/supreme-bodies/conference-of-the-parties-cop?page=%2C%2C%2C2%2C%2C%2C%2C%2C%2C%2C%2C0%2C0

https://climateactiontracker.org