SSR, o novo método para avaliar a sustentabilidade de viagens espaciais.

Com a recente ida de Jeff Bezos ao espaço a bordo do New Shepard, foguete construído pela sua empresa Blue Origin, assim como Richard Branson, que também se aventurou e ainda promete fomentar o turismo espacial com a Virgin Galactic, além de Elon Musk que já lançou uma grande rede de satélites formando um sistema inovador de internet banda larga por meio do seu projeto Starlink, a comunidade mundial se preocupa: qual o impacto dessas missões no ambiente terrestre e extraterrestre?


O início da corrida espacial, na segunda metade do século XX, fez com que satélites e pessoas explorassem um novo lugar, o espaço. Como de praxe, não havia um plano para lidar com os instrumentos e objetos que, por algum motivo, não retornassem para o planeta Terra ao final da sua vida útil. Essa situação ocasionou o surgimento de diretrizes como a "regra dos 25 anos", a qual incentiva entidades a garantir que as espaçonaves e satélites em baixa órbita reentrem na atmosfera da Terra no prazo de 25 anos para minimizar o risco de colisões e destroços. Alguns dos inconvenientes das viagens e missões espaciais são, portanto, acidentes, explosões, lixo espacial, poluição visual, impacto de luz artificial, dentre outros. De acordo com o relatório de ambiente espacial de 2021 da ESA (European Space Agency), atualmente existem mais detritos espaciais em órbita do que satélites operacionais.


Infelizmente, não há uma normativa internacional que obrigue os países e empresas a recolherem o “lixo espacial”, mas uma iniciativa bem interessante surgiu trazendo esperança e conscientização: a SSR. A sigla significa Classificação de Sustentabilidade Espacial (Space Sustainability Rating, em inglês) e, como o próprio nome indica, consiste em uma forma de avaliar a sustentabilidade das missões espaciais. Não é uma ferramenta obrigatória, pelo menos por enquanto, mas objetiva instigar ações voluntárias. O conceito SSR foi desenvolvido pelo Global Future Council on Space Technologies do Fórum Econômico Mundial, em colaboração com um consórcio de entidades como a ESA, o Massachusetts Institute of Technology Media Lab, a Universidade do Texas e o BryceTech.


A metodologia criada pela SSR é baseada em outros sistemas de classificação já existentes, como o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, famoso na avaliação sustentável de edifícios em todo o mundo). As missões que se submeterem ao sistema SSR de avaliação deverão comprovar preocupação, não apenas com os objetivos da missão em si e a qualidade do serviço, mas também com potenciais danos ao ambiente orbital e aos outros operadores. E como exatamente as missões serão avaliadas? Bem, é realmente complexo. A pontuação é calculada por meio de um modelo matemático que considera os dados fornecidos pelas organizações ao responderem a um questionário, mas também dados externos. Apesar de já estar bem desenvolvido, a previsão do lançamento oficial do sistema SSR é para o ano de 2022.


É sabido que, enquanto não obrigatórias, iniciativas sustentáveis como a SSR tardam a ser adotadas. Ainda assim, precisamos repensar nossos hábitos para que, além da Terra, não poluamos criticamente também o espaço. Afinal de contas, ninguém deseja olhar para o céu em uma noite estrelada e ter a visão bloqueada por lixo espacial.


Fontes:

https://www.weforum.org/projects/space-sustainability-rating

https://www.media.mit.edu/projects/ssr-space-sustainability-rating/overview/

https://www.sdo.esoc.esa.int/environment_report/Space_Environment_Report_latest.pdf