Uma nova forma de se vestir

Segundo dados apontados pela organização (HRW) “Human Rights Watch”, existe um estudo que comprova uma série de abusos sexuais cometidos em fábricas de roupas em países como, China, Índia, Bangladesh. A organização contatou algumas das empresas a se imporem para acabar com os tais assédios. Muitas das mulheres que trabalham nesses locais, na maioria das vezes acabam não se manifestando pois em certos países existem famílias muito conservadoras, que acabam até impedindo que as mulheres trabalhem fora de casa, e esse seria um dos principais pontos que poderiam impedir as mesmas de se manifestarem. Pois além de ser a única fonte de renda dessas mulheres que em algumas ocasiões ainda acabam tendo que ajudar nas despesas de casa. Suas famílias tivessem ciência do que vem acontecido no ambiente de trabalho, talvez as impedissem de trabalhar pelo resto de suas vidas. O que acaba gerando uma pressão psicológica maior ainda nessas pessoas.


Muitas vezes isso acaba acontecendo dentro de fábricas de grandes marcas, um dos motivos que a HRW cita desses acontecimentos ocorrerem é porque as empresas de moda acabam confiando em auditorias independentes para fazerem a fiscalização em suas fábricas para verificarem o ambiente de trabalho, e isso na maioria das vezes acaba não acontecendo. O que torna os locais além de perigosos, sujos, com péssimas condições de trabalho, e muitas vezes são considerados até como casos de escravidão. A principal causa disso tudo é a falta de investimento de capital com o local de produção dos itens comercializados. Fruto da ganância por lucros absurdos.


Já outro problema que podemos considerar como “mais aparente” vem do material utilizado para a produção das tais roupas: o algodão

Todos os anos aproximadamente 80 bilhões de roupas são produzidas, isso é 400% a mais do que 20 anos atrás, e 35% disso tudo vem do algodão. O impacto ambiental e social nesse segmento chega a ser assustador. A produção anual de algodão é estimada em mais de 25 milhões e o Brasil é um dos maiores produtores. 75% do algodão produzido vai para a fabricação de roupas, 18% para produção de mobiliário doméstico, e 7% para outros produtos industriais.


O algodão ocupa apenas 2,5% das terras cultivadas no mundo, e ao mesmo tempo representa 25% do consumo mundial de inseticidas. Esse abuso de químicos acontece pois o mesmo não é utilizado na fabricação de alimentos, o que de qualquer maneira acaba colocando em risco o meio ambiente e as pessoas que trabalham nessas plantações. 45% das emissões de gases do efeito estufa associadas ao setor têxtil são por consequência da produção do algodão. A maioria das plantações ficam em países em desenvolvimento, o que acaba resultando com grandes índices de analfabetismo, baixos níveis de segurança no trabalho, trabalho infantil e trabalho escravo.


Uma atitude que muitas grandes empresas têm buscado, é melhorar a qualidade de produção e cultivo desse material tão usado mundialmente, pois ele é o sustento de mais 250 milhões de pessoas no mundo.


Uma nova era está sendo traçada e o seu foco é a sustentabilidade. Produtos menos impactantes para o meio ambiente, fontes de energias mais limpas, alimentos com menos compostos químicos em sua composição, produtos fabricados em nosso próprio país, assim dando valor a tudo que temos de bom em nossas terras, além do suporte para pequenos e médios produtores locais possibilitando que evoluam em seus meios.


Temos como exemplo um movimento de moda sustentável, batizado como “Fashion Revolution”, que logo após o edifício Rana Plaza em abril de 2013 ter desmoronado em Bangladesh, deixando mais de mil vítimas mortas, e 2,5 mil feridas. Muitas dessas pessoas trabalhavam para confecções de produtos de moda, em situações iguais às de escravos. O acontecimento foi um marco para o setor e acabou tendo como consequência o debate sobre uma moda mais humana, e sustentável. Implicando o modo de produção ecológico e resultando em melhores condições de trabalhos, e menos impacto ao meio ambiente. O principal intuito é despertar o consumidor e as indústrias sobre o que ocorre por trás dos trajes que vestimos.


Essa era verde pretende ser de grandes mudanças, na vida das pessoas, dos animais, com o meio ambiente e suas matérias. Basta cada um fazer sua parte e as grandes indústrias mudarem um pouco seus materiais e suas formas de fabricação devastadoras, além de um pouco dos seus conceitos. Devemos nos reeducar a viver no mundo em que vivemos, se quisermos que ele esteja em boas condições para as gerações futuras...